Diários gráficos (Parte II)

Na tarde de sábado, imediatamente depois do almoço, as palavras recebidas foram aquelas ditas por Filipe: “Senhor, mostra-nos o Pai e isso nos basta.”
Mas, se o que nos basta é ver o Pai e sabendo nós o que nos é lembrado por João – “Ninguém jamais viu a Deus” – estaremos nós condenados a viver daquilo que não nos basta?
Quem me vê, vê o Pai!
Mas, a questão é que o meu nome não é Filipe. Não me chamo Filipe. Não vi o Senhor e por isso não vejo o Pai e portanto nada me basta.
Pode a criatura viver do que não lhe basta?

Afastamo-nos, todos, para mastigar o texto e a sugestão deixada para desenhar. Agora com os materiais habituais para contemplar e se possível ler e entrever nas linhas da criação os rastos do Criador.
Desenhar a criação, a obra criada tida como boa. Desenhá-la com respeito. E desenhá-la com respeito significou para mim não ter a pretensão de agarrá-la, mas tão simplesmente quanto isto: guardar o instante como que quem toca de raspão e deixa que se escape.

retiro
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Escuto mas não sei
Se o que ouço é silêncio
Ou deus
Escuto sem saber se estou ouvindo
O ressoar das planícies do vazio
Ou a consciência atenta
Que nos confins do universo
Me decifra e fita
Apenas sei que caminho como quem
É olhado amado e conhecido
E por isso em cada gesto ponho
Solenidade e risco
(Sophia de Mello Breyener Andresen)

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