Não gosto de barbeiros, de barbearias. E a razão não é nenhuma. Só a falta de pachorra. Já tenho uma boa dose de falta de paciência, é verdade, mas tudo aquilo que soe a sala de espera, desespera-me. Não tenho paciência para revistas de há dois anos e para estações de rádio de há trinta. Também, não metam conversa comigo. Não é por mal. Não tenho nada contra ninguém. Não me perguntem as horas, nem como vai o país, nem sequer qual me parece ser o melhor candidato às presidenciais. Não me perguntem porque não tenho pachorra. Nas barbearias perco a pachorra. Também não perguntem agora o que faço. Não me apetece dizer agora que sou padre. Não me apetece e não é necessário.
Em silêncio – seria aquela resposta que eu um dia gostaria de ter a coragem para o dizer – quando me perguntam como é que hoje vamos cortar o cabelo.
Desta vez se pudesse ser em silêncio, agradecia.
Mas, não posso. Seria uma barbaridade.

barbearia

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