São Tomé e Príncipe (dia 3)

CRÓNICAS STP: 6 maio (6ª feira), 7 maio (sábado).

> 8 MAIO 2016 (domingo)

10h00
Será das malaguetas do jantar de ontem ou do repelente que poderá ter entrado para os olhos?
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Estávamos já dentro do jipe a caminho de Ponta Baleia onde, além de autocarros para São Tomé, se apanha o barco-transfer para o Ilhéu das Rolas, esse lugar paradisíaco onde o hemisfério norte se entrelaça com o sul.
stp17O terço, que rezámos logo no início da manhã na antiga roça de Porto Alegre, por volta das 08h15, foi uma bonita experiência. Mesmo com as contrariedades próprias desta região – a chuva torrencial e as condições precárias – a fé desta gente não verga.
Às tantas, pergunto eu, se não ando ou se não andaremos nós em geral demasiado dependentes das condições exteriores (favoráveis ou desfavoráveis) e pouco agarrados ao essencial.
São Tomé é de facto um país que saudavelmente me interroga.
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10h53
As viagens em África correm sempre bem, até ao momento em que ocorre a primeira anomalia.
Três passageiros juntamente com o condutor do autocarro que nos levariam para São Tomé, saíram para apurarem a situação.

Um furo!
Boa! Pensei timidamente com receio de me condenar por este pensamento pouco sensato.
Suspirei não pelo furo, que fique claro, mas pelo impacto que um furo em África num autocarro no meio do mato poderia ter sobre esta crónica que agora escrevo.
Ainda ponderei se valeria a pena sair para desenhar o furo, mas confesso que seria um excessivo atrevimento.
Não é furo! Afirmaram. Afinal, era do para-lamas.

O autocarro arranca.
Mas, se não é das malaguetas é do quê? Eu lavei as mãos com detergente, portanto não pode ser alergia.

O autocarro volta a parar.
Uma árvore atravessou-se no meio da estrada e ali ficou estacionada. Mas, não há nada que o “leve-leve” não resolva.

12h57
Já no bairro da Boa Morte em São Tomé, depois de uma viagem em modo de pára-arranca ao som de várias músicas sãotomenses, almoçámos apressadamente uma vez que teríamos de visitar os projetos da qual esta comunidade se responsabiliza.
De facto, conhecer estas obras, visitar estes projetos e sobretudo estar com as pessoas, veio acrescentar um novo e importante critério em tudo o que fazemos: a paciência.
Mas, mais do que resultados imediatos, ali em São Tomé (a capital) é preciso este atrevimento de lançar pacientemente as bases mesmo que nos pareçam embrionárias, acompanhando depois um processo às vezes lento de enraizamento e crescimento destas instituições.

Tarde e fim de tarde
Fomos ao Mercado Velho que fica no centro para comprar fruta e legumes.
stp19Quando íamos a caminho do Mercado, reparei nos táxis: carros amarelos, chapa amolgada, para-choques preso com corda, faróis arranjados com fita cola e duas pessoas lá dentro, sentadas no banco de trás.
Voltamos do Mercado, sensivelmente uma hora depois, e passamos novamente pela zona dos táxis. Carro amarelo, chapa amolgada, para-choques preso com corda, faróis com fita adesiva e duas pessoas lá dentro, sentadas no bando de trás.
Que fazem aquelas pessoas durante uma hora, as mesmas pessoas sentadas ali no banco de trás?
Padre Nuno – explicaram-me eles – aqui o táxi só arranca quando estiver cheio. As pessoas estão à espera que outros passageiros cheguem e então aí, o taxista arranca.

Noite
São Tomé – cidade da Trindade – Monte Café.
Deixámos a capital e fomos de jipe por ali fora até Monte Café (interior de São Tomé) ao som do Marítimo-Benfica.
A casa onde ficaríamos, durante este tempo de retiro, tem uma localização óptima. Encontra-se a mil e poucos metros de altitude. O suficiente para nos afastarmos da confusão, nos isolarmos do ruído, ganharmos distância e uma vista promissora.
Lá dentro, já tínhamos companhia à nossa espera. Fantástico! Duas aranhas com nove centímetros de diâmetro e umas baratas a desfilar ali pelo carreirinho da porta de correr.
Rede mosquiteira à volta da cama nem vê-la, arame farpado também não.
Lá vai ter de ser: dar uma de mão, com repelente, nas paredes do meu quarto e na madeira da cama.

02h37
Ao meio da noite voltei a acordar. E a conclusão diante do espelho foi clara.
Amanhã, meu caro amigo Nuno vamos passear até ao Hospital Central de São Tomé, essa magnífica unidade hospitalar.

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